Sporting

José Eduardo alerta que o clube caminha para a insolvência

José Eduardo apresentou o documento “A Solução 2012: Que presente. Que Futuro?”, no qual se procura explicar como é que o clube chegou a esta situação e se apontam algumas soluções para inverter o rumo até aqui seguido.

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O antigo jogador do Sporting José Eduardo, atual membro do Conselho Leonino, alertou esta segunda-feira para o facto do clube, além de se encontrar em situação falência técnica, «caminhar para a insolvência».

Esta conclusão foi fundamentada com base no «continuado aumento de despesas, no incremento das despesas abaixo do aumento das receitas, no facto de uma parte significativa do património já não pertencer ao Sporting, das receitas de televisão já terem sido recebidas como adiantamento e do serviço da dívida rondar o número incomportável de 1,1 milhão de euros (ME) por mês».

Coube ao também sócio e acionista do Sporting, Ângelo Costa, licenciado em gestão de empresas, a convite de José Eduardo, a análise da gestão económico-financeira do clube, no âmbito de um documento hoje apresentado à imprensa sob o título “A Solução 2012: Que presente. Que Futuro?”, no qual se procura explicar como é que o clube chegou a esta situação e se apontam algumas soluções para inverter o rumo até aqui seguido.

Tomando por base o último relatório e contas, referente ao primeiro semestre da época 2011/12, entre julho e dezembro, Ângelo Costa recordou que o passivo da SAD «ascendeu a 230,7 ME, registando um aumento de 31 ME, correspondente a 15,7 por cento, sendo que os resultados atingiram um prejuízo de 19,1 ME».

Os anteriores dirigentes do Sporting têm justificado o desequilíbrio nas contas no clube com a construção do novo estádio e da Academia, mas Ângelo Costa questionou «a ausência de estudos de viabilidade dos projetos, sobretudo desta dimensão», para os quais se partiu «sem saber para o que se vai nem como lá se vai chegar».

Aquele gestor sportinguista questionou a «inexistência de cuidado técnico para salvaguardar as fontes de financiamento» e lembrou que o custo do estádio e da Academia «rondou os 179 ME, tendo uma comparticipação de 60 ME, o que significou um défice de 119 ME», referindo ainda a circunstância do património imobiliário se «encontrar hipotecado, como garantia dos empréstimos contratados».

«Se não houver investidores, o Sporting terá grandes dificuldades para sair desta situação», observou Ângelo Costa, que propôs mesmo um perdão parcial da dívida por parte da Banca, que tanto dinheiro tem ganho com o clube, e ao nível dos fornecedores.

Na área do futebol, José Eduardo fez uma crítica aos últimos anos de gestão, nomeadamente a percentagem anormal de insucesso na compra de jogadores, sem posterior mais-valias, e de jogadores sem margem de progressão e por reflexo de valorização duvidosa, pela sua deficiente qualidade técnica ou pela idade.

Centrando-se na atual gestão, o conselheiro leonino considerou um erro grosseiro a contratação de 19 novos jogadores, tendo em conta que as possibilidades de integração desses atletas é tanto menor quanto maior for o número de contratados.

«Bastariam apenas sete a oito jogadores para uma equipa que estava em fim de ciclo, mas esse número mais do que duplicou», disse José Eduardo, que não se coibiu de criticar a gestão que se fez do departamento médico.

Aludiu diretamente aos testes clínicos efetuados aos jogadores contratados esta época, nos quais os procedimentos e os pareceres médicos não foram respeitados.

«Um médico não poder dizer que um jogador está completamente incapacitado, mas pode dizer que esse jogador tem uma determinada insuficiência e que o seu parecer aponta para uma insuficiência de rendimento», disse José Eduardo, chamando a atenção para os jogadores do plantel que «estão constantemente incapacitados».


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