Ricardo Teixeira

Ricardo Teixeira perto do sonho de ser piloto oficial


O piloto angolano integra a equipa de testes da Caterham F1 Team, mas tem a garantia de que irá participar em um ou dois grandes prémios.

ricardo teixeira

O angolano Ricardo Teixeira, que há um ano entrou no restrito mundo da Fórmula 1, está confiante em poder brevemente dar o salto para piloto oficial e espera em 2012 disputar o seu primeiro Grande Prémio.

«Foi uma oportunidade que me caiu do céu, não estava à espera. É um mundo completamente à parte», contou Ricardo Teixeira à agência Lusa.

No ano passado, o angolano foi contratado pela Team Lotus (agora Caterham F1 Team) como piloto oficial de testes, o que lhe permitiu aos 27 anos viver a sua primeira experiência na mais alta esfera do desporto motorizado.

«Cinco minutos antes de entrar no carro ainda não acreditava. Acho que estava à espera que acontecesse qualquer coisa que me impedisse de ir para a pista, mas era mesmo verdade», recordou o piloto, referindo-se ao seu primeiro teste no carro da agora extinta Team Lotus, realizado em Valência.

A partir daí, Ricardo Teixeira começou a cruzar-se nos bastidores dos circuitos mundiais que recebem o “circo” da Fórmula 1 com figuras como Fernando Alonso, Lewis Hamilton e seu grande ídolo, o alemão Michael Schumacher.

«O meu ano foi exatamente igual aos dos outros pilotos oficiais, só que não fazia a parte divertida da qualificação e das corridas e, claro, não tinha o protagonismo de um piloto de corrida. É impressionante o excesso de trabalho nas corridas e nos períodos entre as corridas», disse.

Agora, Ricardo Teixeira deverá manter-se na Caterham F1 Team, ainda como piloto de testes, mas com a garantia de que irá participar em «um ou dois grandes prémios» na temporada de 2012.

«Ainda não foi anunciado, mas o plano é continuar na Caterham. Faz sentido ter dois anos de experiência, pois ainda há muita coisa para aprender e, depois disso, passar em 2013 para piloto oficial. É uma equipa que dá corridas aos pilotos de teste e foi-me prometida essa oportunidade», referiu.

Nascido em Lisboa, dividiu a infância entre Portugal e Luanda, mas optou pela nacionalidade angolana devido aos seus pais. Quebrou a tradição judoca da sua família (o pai foi campeão nacional e representou Portugal nos Jogos Olímpicos de Munique em 1972) e, quando aos nove anos conduziu o seu primeiro kart, nunca mais quis outra coisa.

«Nunca fui muito de jogar futebol, não tinha muito jeito. Comecei a correr a sério aos 12 anos e nunca mais parei», brincou o angolano.

No longo caminho até chegar à Fórmula 1, Ricardo Teixeira competiu em vários campeonatos, desde a Fórmula 3 inglesa até à GP2 Series, e sempre com uma bandeira «completamente desconhecida».

«Ninguém fazia a mínima ideia que bandeira tinha nos carros e ouvia muitos disparates. Como achavam que tinha tudo menos de africano, pensavam que era eu de Leste e que tinha uma bandeira de um país qualquer da [antiga] União Soviética», contou.

Mesmo assim, Teixeira não se arrepende «um minuto» por ter optado pela nacionalidade angolana, embora admita que, inicialmente, poderia ter encontrado menos dificuldades.

«Provavelmente teria sido mais fácil começar com a nacionalidade portuguesa e europeia. Tinha-me ajudado a testar em equipas melhores e com melhores condições. Mas com isso ganhei maturidade e carinho nas equipas, por verem o esforço que fazia e que fiz sem condições financeiras», argumentou o único piloto africano na Fórmula 1.

Pelo meio, o angolano passou grande parte do tempo em Birmingham, Inglaterra, a tirar o curso de engenharia mecânica, uma formação que acaba por lhe dar alguma vantagem sobre os restantes pilotos.

«Tive uma aprendizagem muito grande sobre os carros e falo a linguagem dos engenheiros. Consigo vestir o papel de piloto e também de engenheiro e consigo misturar as duas coisas, o que é uma grande vantagem no desenvolvimento dos carros», explicou um sorridente Teixeira.

Nos próximos dias, o piloto angolano espera confirmar a continuidade na Fórmula 1 e na Caterham F1 Team.

«Era um sonho que muita gente dizia que era impossível alcançar. Mas quando se está lá dentro nunca se quer desistir. Há sempre o sonho de correr, e continuar a ver o que dá o próximo ano. Nunca metemos uma pedra sobre o assunto», concluiu.


© ÓrbitanewsSport 2011